
21 de Junho de 1989. Um excelente dia a ser lembrado! Eu, com 8 anos de idade, talvez não soubesse a importância que aquele dia tinha. Naquele ano, lembro-me muito bem, que o tema da festa do meu aniversário(20/01), tinha sido O BOTAFOGO. A esperança por um título naquele ano era muito grande, a muito não tinhamos um time tão competitivo.
Saímos eu e meu pai de Araruama/RJ, cedo, bem cedo, e tomamos o caminho do Rio. Como saimos cedo de casa, chegamos por volta de 10 horas na RJ. O jogo seria só à noite , e pra "passar o tempo", fomos para a Barra da Tijuca, mais precisamente pro Hotel Monza, lugar onde o Glorioso se concentrava para a grande decisão.
Logo na entrada, nosso comandante Espinoza, passeava e batia papo com torcedores e alguns jornalistas. O clima era bom. Tranquilo. Ricardo Cruz, também figurava entre os jogadores que estavam ali no hall do hotel.
Depois de muitas fotos, e conversas sobre o jogo que aproximava, meu pai que muito conhecia o nosso volante Luizinho Quintanilha, conseguiu contato com ele, e pra nossa felicidade, entramos na concentração.
Já dentro do hotel, fomos no quarto onde estavam Luizinho, o goleiro Gabriel, e o lateral Vítor(que fizera aquele gol aos 42 do segundo tempo no primeiro jogo contra o império do mal). Ficamos um tempo por ali conversando, até que os jogadores foram chamados para o lanche da tarde, e para o começo da preleção de Valdir Espinoza.
Fomos até o refeitório do Hotel, onde peguei autógrafos de todos, tirei fotos, etc...etc, e foi também aonde escutei meu pai falar como numa prece à Paulinho Criciúma :
" Criciúma, sonhei que o gol do título era seu..." Ele respondeu: " Deus te ouça meu amigo, Deus te ouça..." Acho que nunca mais esquecerei disso. Certamente não.
Mas o melhor amigos, estava por vir. Estava guardado. Ao cruzarmos os corredores do hotel Monza, vindo embora para ir pro Maracanã assistir ao jogo, eis que passo por uma porta entreaberta. Passei. Mas talvez pelo ímpeto de moleque, ou sei lá o que, VOLTEI e empurrei a porta. Meu pai voltou. Acho que pra me dar uma bronca, ou algo do gênero, mas a cena que vimos me salvou da bronca!
Maurício! o nosso camisa 7, estava sentado à uma mesa, com um balde de alumínio de água quente, e variás tolhas brancas. Fazia toalha quente na virilha esquerda, onde uma íngua, insistia em perturbá-lo. Da porta mesmo conversamos um pouco, e ficamos sabendo, que era muito difícil que ele jogasse naquela noite, pois além da virilha, Maurício era acometido por uma forte febre, em decorrencia da íngua na perna.
Enfim, viemos embora, fomos pro Maracanã, e o final, Ah! o final você já sabe!
Hoje tenho 28 anos. Vinte se passaram, e a história se repete! E confesso a vocês, a emoção que me acomete é exatamente aquela de 20 anos atrás!
Avante Botafogo!